vale bolo

O dia chegou. Meu filho fez 2 anos. Dois. 24 meses. Há 2 anos sou mãe de um menino feliz, danado e saudável, que cresce um pouco todo dia e me ensina simplesmente tudo o que eu não aprendi em 30 anos de vida. Ter um filho é o melhor manual de auto ajuda, se você souber interpretá-lo.

Quando eu olho pra trás, vejo que comecei essa jornada totalmente zerada. Na minha vida nunca tive contato com bebês, meu único irmão é só 2 anos mais novo e consta na história familiar que eu o peguei recém-nascido do sofá e joguei no chão. Ao longo desses 2 anos precisei aprender desde trocar fralda, colocar para arrotar (graças a amamentação não precisei fazer muito), cortar unhas da finura de papel sem cortar o dedo do dito cujo, a comer com menos sal, fazer cocô com plateia e, o mais difícil, lidar com a frustração de simplesmente não ter ideia nenhuma do que fazer em certas horas.

Se você também  é uma mãe que veio sem manual, vem comigo. Neste post vou listar as 10 coisas que aprendi sobre os bebês e toddlers nesses 2 anos de Valentin, 2 anos felizes e muito sofridos de maternidade. Dizem que o parto dói (estou supondo, pois não tive um). Mas vou te contar, educar dói muito mais.

As 10 coisas que aprendi sobre bebês

Bebês agem com efeito retardado

A frase “Valentin, senta da cadeira para colocar o sapato” é repetida provavelmente 743 vezes todo dia na minha casa. Mas o que mais me intriga, é que ela não precisa ser repetida. Ele já ouviu da primeira vez, porém só atende ao pedido com vários minutos de delay. Isso mesmo, os bebês tem um delay e demoram para efetuar tarefas básicas do cotidiano, não porque não ouviram, mas porque possuem este maldito delay. Eu aprendi que a forma mais eficiente de não ter stress com esses momentos é se abaixar, olhar no olho do pequeno, falar o que quer que seja, e esperar o delay. Ele vai colocar o sapato.

Bebês querem chamar atenção

Parece óbvio. Eu já tinha “ouvido falar” que os bebês gostavam de chamar a atenção. Mas ainda não havia entendido direito o que isso significava. Os bebês vão fazer tudo o que podem para chamar a atenção se você tiver fazendo algo que não diz respeito a eles. O problema é que antes de chegar a conclusão de que eles estão tentando chamar a sua atenção, uma cascata de justificativas irão brotar em sua mente, tais como: bebê é impaciente, bebê é hiperativo, bebè está com fome, bebê é carente, bebê é mimado, bebê é desnutrido, bebê é birrento, etc.

Bebês não dormem a noite toda

Essa eu demorei para entender. Se você tem um bebê que começou a dormir 12 horas seguidas aos 9 meses, parabéns, você é um felizardo pai ou mãe de uma exceção. Apesar de que a sociedade queira que o meu bebê durma a noite toda e me cobre diariamente por isso, ele não vai dormir. Por N motivos. E não importa o que você faça, só vai piorar as coisas. Bebês não dormem à noite toda e ponto. No momento que comecei a acreditar nisso, Valentin começou a dormir a noite toda, com 12 meses.

Bebês podem comer menos que outros bebês

Chega de encher o prato do bebê e querer que ele raspe o prato para dar exemplo. A quantidade que julgamos ideal está longe de ser a ideal. Por quê? Bem, porque você não está dentro do estômago do seu bebê para ver o quanto de comida cabe ali ou o quanto de fome ele tem. Pode ser que ele coma pouco, pode ser que ele coma muito. Está tudo bem se seu bebê não comer tanto quanto os outros bebês. Isso eu também demorei a aprender. Hoje, tem dias que o Valentin não tem fome e come realmente só um pouquinho ou janta um copo de leite e vai dormir. Não vamos pirar no nutricionismo, por favor.

Bebês não estão nem aí para os brinquedos que você compra

Na minha opinião, os bebês deveriam ter o mínimo de brinquedos possíveis. Ele quebram tudo e tudo o que você compra e enche de expectativas, eles jogam para o lado enquanto engatinham para a cozinha em busca da próxima panela para bater. Pare de encher a casa de brinquedos, pois eles não estão nem aí para eles. Aprendi que o rodízio dos próprios brinquedos é uma ótima ideia para tirar de circulação o excesso, caso haja.

Bebês não são bonecos

Isso eu li em um livro sobre criação na Alemanha Oriental (RDA). O capítulo era sobre o que vestir na criança, e o autor veio com esta pérola, com a qual concordo inteiramente: “A roupa da criança não deve influenciar em nada nenhuma esfera de sua vida. A criança não é um boneco”. Pode soar meio radical, mas vamos pensar por esse lado: por que devo aprumar meu filho para certas ocasiões sociais? Ele é um bebê, droga.

Bebês gostam de água, lama, areia e sujeira

Deal with that. Se você vai para o parquinho com medo de voltar cheia de areia nas calças, reveja suas prioridades. Deita logo na areia e deixa seu filho gastar energia ficando sujismundo, quem sabe ele não dorme a noite toda.

Bebês dão escândalos

Já vi crianças dando escândalos e sempre gostava de falar em alto e bom som “filho meu não vai fazer isso”. Nossa, como era arrogante! Os bebês e crianças que ainda não falam simplesmente dão escândalos, faz parte da essência deles! O tempo passou e eu atingi um estado super zen para a hora dos tantruns do Valentin em público. Aprendi que a atitude certa é cagar e andar para olhares e pitacos de estranhos. Mas até chegar aí foi um mega aprendizado.

Bebês esperam que você esteja no controle de tudo e se desesperam quando você se desespera

Talvez uma das mais difíceis lições aprendidas. Na hora que o bebê dá uma de doido, e você se desespera, não há nada pior que o bebê perceba isso. Você é o Norte do seu bebê e sempre vai ser até ele virar adulto. Ele sempre vai esperar que você dê um jeito na situação que ele não tem capacidade ainda de dar. E os bebês não dão jeito em nada, você tem que dar jeito em tudo, até quando eles piram na batatinha. Manter o controle, respirar fundo e vamos lá. Muito difícil, muito difícil.

Bebês näo sabem o que é pressa

Para o dia-a-dia, a lição mais importante que aprendi em 2 anos. Esse negócio de planejar seu dia com um toddler e depender da vontade dele para cumprir horários estipulados por você, iiiiiih, já não soa muito bem. Primeiro que ele vai demorar 3x mais para sentar na cadeira e colocar o sapato. Se você demonstrar que está nervosa ou possuída por esse negócio chamado pressa, aí que eles cagam e andam mesmo. E pior, podem pirar e ter um ataque histérico e logo em seguida você tem um ataque histérico, e aí não presta mais. A melhor coisa que aprendi foi planejar os compromissos com o toddler com bastante folga de tempo. Não existe pressa na vida de mãe, existe planejamento.

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Quando soube que teria um menino, fui logo comprar um sapatinho azul que achei numa loja (estilo Vans, uma graça, bem mauricinho), fiz fotos e mandei para a família. Foi o último item azul que comprei para o Valentin. Sabia que o mundo e a sociedade iriam se encarregar de tornar o enxoval o mais azulado possível.E foi o que aconteceu. Como recebemos muita coisa de presente e emprestada para o primeiro ano, acho que acabei investindo ao todo só uns 20 dinheiros em vestuário (maioria segunda mão!). O problema é que desde a concepção do moleque (e talvez um pouco antes disso) eu decidi que não queria uma filha princesinha, muito menos (e põe muito menos nisso) um filho transformerszinho. Claro que não cheguei ao ponto que os suecos chegaram.Para atingir esse objetivo, evito comprar coisas nas temáticas de menino usuais, como caveiras, répteis, números universitários, heróis (exceto Chapolin). Prefiro ver meu filho vestido de duende! Então fiz a minha parte: investi parte dos 20 dinheiros em polêmicas peças de cores “puxando o salmão” (leia-se rosa), entre outras. Mal eu sabia que estava transgredindo sérias regras sociais! Mal eu sabia que sofreria sérias represálias de amigos e família! Até do pai…

– Porra, logo rosa?
– Sim, qual o problema?
– Porra, essa aqui tem até babado.
– É só um babadinho!

Mas toda essa falação aqui é para contar que cheguei a uma conclusão muito importante. Não importa a cor do sapatinho, da blusinha e a presença de babado ou répteis na estampa. Você pode ter dado bonecas durante 12 meses para o seu filho, mas a primeira palavra dele ainda vai ser “Auto” (carro) e a brincadeira preferida da sua filha é bem provável que seja fazer cafezinhos imaginários cazamigas imaginárias, aka bonecas.

E você vai pensar que é só uma empolgação momentânea, que ele vai voltar o interesse para os bloquinhos de montar Waldorf ou para os bonecos alternativos não-transformers.

Mas não. O tempo passa e ele só vai querer Autos, Autos e Autos. E mais Autos. Você até acha que a única palavra que ele vai aprender na vida é Auto. Você até tenta travar outros diálogos, tipo:

– Filho, fala “minha mamãe”.
– Autoooo!
– Minha mamãe, filho!
– Autooooooooo!
– Minha! Mi-nha! Mamãe!
– Aaaaaaaaatooooooo! > diálogo verídico.

Depois de Auto, veio Bus, ión-ión (ambulância), Moto, Moco (moto+barco), piuís, tchu-tchu, enfim, veículos de transporte em sua totalidade. Ah nem vou falar das maquinarias! Esta peste de mãe foi mostrar aquele maldito desenho “Bob o Construtor”. Fudeu tudo. Que tipo de desenho incentiva as crianças a mexeram com tratores e rolos compressores? E vocês linchando a pobre da Galinha!

Bem, mas tudo isso era pinto. A minha ficha só caiu no dia em que estava na loja escolhendo o carrinho Hot Wheels mais invocado para comprar. O corvete não servia mais, nem os simples de corrida. Eu estava procurando era os mais interessantes, aqueles meio psicodélicos, coloridos, rebaixados, grafitados, transparentes, surreais, enfim. Os mais bacanas.

Eu, a mãe que sonhava ver o filho brincando de boneca, comidinha e bloquinhos, estava ali prestes a adquirir o 4259º Auto da coleção Hot Wheels patrocinada por cada integrante da família.

Mas o pior (sim, há pior), foi constatar depois de um pouco de contemplação, que quem estava ali categorizando os carrinhos, escolhendo, fazendo aquela triagem ajoelhada na loja em frente àqueles tubos onde os carrinhos são jogados, não era o Valentin, era EU. Euzinha estava me divertindo procurando os Autos mais diferentes, mais chamativos. Euzinha estava comprando mais um carrinho, ao invés de uma panelinha, um joguinho de madeira, umas peças de enroscar. Euzinha estava excitadíssima procurando os cobiçados exemplares da coleção 2013 Sharkruiser, Flintmobile e Carbonator.

Eu, Tamine, sou a mãe que coleciona carrinhos Hot Wheels.

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Eu andei lendo por aí algumas listas com dicas para uma infância mais saudável. Mas eu temo que essas listas com dicas que circulam por aí interpretem o saudável por meios bem restritos.

Mas o que mais me pertubou na tal lista foi uma sugestão para adoçar o iogurte natural da criança com geléia sem açúcar, sendo que a criança em questão não é necessariamente diabética. Peraí, vamos aos fatos. O que ser uma geleia sem açúcar, peloamordedeus? É uma papa de fruta, quase, que é adoçada com suco de fruta concentrado, que por si só é uma coisa tão doce quanto o açúcar em si, porém menos maligno. Bullshit, é tudo açúcar! É tudo pra adoçar a vida.

Se o intuito é adoçar a vida por que não usar…. bom senso? Ingrediente este sim, muito em falta nas dietas do mundo!

Semana passada mesmo eu queria fazer uns bolinhos sem açúcar para o meu filho. Botei umas 3 bananas mais 1/4 de xícara de xarope de Agave, essa coisa ao mesmo tempo extremamente natureba e desnecessária. Não importa se é vegano ou não. É tudo açúcar. No fim me pego procurando as receitas sem açúcar durante arroubos naturebas, apenas pelo desafio mesmo. E se for para fazer um negócio menos doce, nada mais eficiente do que….tcharaaaaaam….diminuir o açúcar! Isso mesmo. Eu diminuo em no mínimo 30% o açúcar que vejo nos ingredientes. Ninguém morre por causa disso e o açúcar tá lá, cumprindo seu papel bom bastante bom senso.

Sei lá, lembra quando era super saudável e hype comer margarina? Pois é, tipo isso.

No primeiro ano do meu filho eu era, sim, aquela mãe radical que se estressava e bufava quando a vovó oferecia uma colherada de chantilly pro moleque. Até que em um certo dia eu passei a tarde toda assando biscoitinhos de Natal. Eu nunca tinha assado biscoitinhos de Natal e eles são, tipo, quase pura manteiga, trigo e, claro, açúcar. A cozinha ficou bem bagunçada, com trigo para todo lado e superfícies amanteigadas, incluindo a minha pele. Mas tudo bem, o que importava era que os malditos biscoitos estavam sendo assados com amor. E suor!

Naquele dia eu receberia uma visita. Era uma amiga que vinha com a filha, da idade do meu filho. Elas chegaram e a primeira coisa que eu fiz foi oferecer, orgulhosa, um pratinho de biscoitinhos amanteigados de Natal para a garotinha. Mas a mãe dela falou, toda sem graça em ser “aquela mãe “, enquanto a menina arregalava os olhos:

– Ah, sabe o que é, ela não come essas coisas…

Foi aí que meu mundo caiu. Eu percebi nesse dia que não queria ser aquela mãe. Se você é, ótimo! Tem o meu apoio e respeito, mas não fique sem graça de recusar os biscoitinhos feitos com suor. Recuse com firmeza e sem delongas. Eu ainda tive que responder qual a quantidade de açúcar continha os biscoitinhos e minha cabeça só explodia, explodia, explodia….de raiva!

Eu basicamente achei aquilo o cúmulo da falta de educação.

Se você quer, como eu, celebrar a existência do açúcar, porque afinal você o ama e passou boa parte da sua vida ingerindo-o, que tal fazer um daqueles crumbles de frutas? É mais fácil do que tudo na vida, pois você só vai precisar de:

– Frutas picadas (maçã, framboesas, ameixas, amoras, todas)
– Trigo
– Manteiga
– Limão orgânico
– Açúcar brando e marrom
– Temperos tipo canela e noz moscada.

Coloque as frutas picadas em um refratário pequeno. Regue com um pouco de suco de limão, mas só um pouco, tipo duas colheres rasas sopa. Jogue também umas raspas dele (por isso tem que ser do bio). Para o crumble, prepare a farofa pulsando no processador 1/2 xicara de trigo, 1/2 xicara de açúcares (metade branco e metade marrom), uma colher de café de canela e meia colher de café de sal e  umas 80g de manteiga gelada cortada em cubos pequenos. Pulse várias vezes até formar uma farofa fina, mas não muito fina. Jogue essa farofa sobre as frutas e asse a 180 graus até ficar douradinho por cima. Não use a função grill do forno, senão queima em questão de segundos. True story.

Esse post foi escrito inspirado nesse post do blog Caderno de Cabeceira

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Hoje vi o documentário brasileiro “Muito além do peso” e fiquei chocada com várias informações, como por exemplo, a de que mães dão refrigerante na mamadeira para bebês. Julguei altos pais cujos filhos aparecem em imagens do filme comendo as maiores porcarias com as quais também crescemos comendo. Entre elas, o biscoito recheado, amiguinho das nossas sessões das tardes.

Aí me perguntei: o que será que pensou a pessoa que sentou ao meu lado naquele dia na espera do Banco do Brasil ao me ver dando biscoito recheado para o Valentin?

O biscoito recheado, coitado, carrega nas costas uma grande simbologia. Sua porcentagem de gordura trans o coloca numa categoria mais condenável do que muitas porcarias. Mas como já me conformei de que a vida de uma mãe é viver constantemente cheia de cuspe na cara (não porque leva cusparadas, mas sim porque vive cuspindo para cima…dãh…), vou contar a história por trás deste evento.

Estava um dia na fila do Extra, durante nossa visita ao Brasil. Naquelas malditas gôndolas que ficam a caminho dos caixas expressos, avistei uma embalagem cheia de artimanhas. Era de uma bolacha chamada “Mini Trakinas”. Isso quer dizer que eram mini trakinas, você entendeu bem? Era uma perfeita miniatura de um trakinas (escrito em minúsculo pois, segundo uma prima, é tipo “gilete”) de tamanho original. E eu, que amo miniaturas, achei super curioso fofo e comprei porque, além de tudo, estava devorando todas as porcarias possíveis antes de voltar para o jejum bio alemão (#boring). E uma porcaria em miniatura não soava nada mal para a dieta (#loser).

Guardei o Mini Trakinas na minha mochila e o deixei lá por um tempo. Não tive vontade de comer, pois era de morango. Então tive que resolver um problema no banco e, muito corajosamente, levei meu filho, então com 18 meses, que faz parte da espécie ativus constantis. E um banco, sabe como é, tem espera. Longa. Chata. Chata para mim, que dirá para o guri. Mas eu estava munida de papel, canetinhas, carros (post sobre gender free education epic fail vem depois), água e um restinho de biscoitos de gergelim integrais que havia adquirido em Pirenópolis numa vendinha antes de descer para a cachoeira. Quer coisa mais natureba do que esta sentença que acabei de escrever?

Em situações como estas, onde tenta-se evitar a correria em ambientes públicos e näo seguros, é necessário ter em mente a hierarquia das cartas a serem utilizadas como distração neste jogo da morte. Eu tento queimar a carta dos brinquedos antes de partir para os comes e bebes (mas essa é só minha opinião tá gente??? por favor não me odeiem e não achem que estou achando que todas as mães queimam as cartas dos brinquedos e depois dos comes e bebes! este blog é só o reflexo da minha opinião e de mais ninguem tá gente??).

Depois de ter corrido a Câmara (sim, a dos deputados) inteira, ter dado tchau para todos os seguranças, empurrado carros por todo o chão, causado quase-tropeções em velhinhas, pintado com canetinhas as mãos todas, conclui que os brinquedos já estavam saturados e era hora de queimar a carta das comidas. Alguns comentários sobre os potencias distratórios de algumas:

  • Água – O sucesso desta carta depende diretamente do design da garrafa. Se o bico em questão não proporcionar prazer de sucção ao bebê, contabilize mais ou menos 10 segundos por 50ml de líquido. No meu caso, a garrafinha era dessas que a gente leva pra academia. Potencial de distração: 20 segundos.
  • Biscoitos de gergelim – Excelente distraidor, pois sua consistência faz com que a mastigação seja lenta e, por sua vez, mais duradoura (utilizando-se a medida universal de 1min para criança equivale a 1h para os pais). Infelizmente eles estavam de final.

Ainda faltavam 3 senhas. E o pior: eu ia falar com o meu gerente, isso significava que precisaria passar pelo menos 5 minutos conversando com ele. Sabe o que isso significa em números?? Uns 7067ml de água!

Faltava 1 número e ele estava correndo por entre todos os bancos feito um demônio da Tasmânia, sem dar sinais de sossego. E já manifestava em alto e bom som a insatisfação de ter o barato cortado dali a alguns momentos…

Como lidar?

Eis que dou mais uma fuçada dentro da minha mochila, na esperança de achar mais um objeto com potencial distrativo – as tampas dos lixeiros e brincar de “achou” com o tio do lado já não tinha graça. E, exatamente como em um comercial da Elma Chips ou Nescau, o pequeno pacotinho das malditas Mini Trakinas gera lá do fundo negro um raio luminoso perante o meu rosto tenso e com olheiras de preocupação. “É hoje”, pensei.

O que aconteceu depois ainda está embaçado nas minhas lembranças…. Mas envolve farelos pretos….muitos farelos…..mãos ensebadas…camisa suja….cadeira do gerente com farelos, muitos farelos….uma unidade de gerente rindo…..e uma mãe com um cartão novo.

Há alguns meses o Valentin começou a ir duas vezes na semana para a creche, por meio período. Isso quer dizer que começou agora para a gente a fase das tosses e catarradas e gosmas verdes constantes saindo do nariz. Quando a primeira gosma verde saiu do nariz, levei ele ao pediatra. E ele é natureba.

Para quem mora em Dresden, o nome dele é Dr. Hacker e é uma lenda. Uma vez foi passar 6 meses na África e deixou os pacientes a ver navios. Mas foi por uma boa causa, né? O problema é que o consultório dele, o qual divide com outra médica, é um dos mais concorridos da cidade. Isso quer dizer que você abre a porta e se depara com um mar de crianças como que reunidas para um show do holograma da Galinha Pintadinha, só que não. Estão todas escarrando gosmas verdes pelo nariz.

As crianças são chamadas pelas enfermeiras e as mães têm que dar um jeito de estar no quarto (ah sim, são várias salinhas de atendimento e os médicos ficam entrando nelas por meio de portas internas, quase que uma terceira dimensão) em menos de 4 segundos. Uma vez lá, esperam no mínimo meia hora pelo médico, que aparece através de um portal mágico (as tais portas internas).

A partir desse momento, eles fingem que estão dando toda a atenção do mundo para o seu relato sobre as gosmas verdes, quando na verdade estão pensando na fila que os espera lá fora. Mas tudo bem, carpe diem, o que vale é o momento. E este pediatra natureba do Valentin se esforça, tenho que dar o crédito.

– Então, ele tá indo para a creche, dotô. Será que é por isso?
– Com certeza. É um vírus. Dura mais ou menos uma semana. Enquanto isso eu recomendaria muito, mas muito ar fresco, uns sprays de água salina para o nariz, que você mesmo pode fazer em casa, e talvez um xarope. Se a senhora quiser eu passo a receita de um.
– Oi?
– Sim, a receita.
– Ok, claro que eu quero (pensando que era uma receita de um remédio convencional, dessas que colocamos na conta do convênio médico).

Vesti o meu filho e fui pegar a receita na recepção, com a enfermeira que desta vez estava no computador.

– Aqui está e até logo.
– Até logo, disse eu, coloquei as receitas no bolso e cai fora, super rápido, claro, pois havia uma fila longa de mulheres atrás de mim cheias de bebê conforto, cangurus, bercinhos de carrinho de bebê e toda a tralha característica de uma mãe móvel. Você não quer brincar e dar uma de lerdo com essas mulheres, pode acreditar!

No caminho parei para pensar que não tinha nem conferido as receitas. Ao esperar o sinal ficar vermelho, dei uma olhada. Minha primeira reação foi:

– Oi?

A segunda reação foi:

– WTF?

Na receita, que é impressa no computador em um papel padrão, constavam os seguintes escritos:

“Misturar suco de 5 cebolas (roxas) + 5 a 8 colheres de sopa de mel de tomilho. Deixar em lugar escuro e temperatura ambiente por 24h para curtir. Colocar em pote e guardar na geladeira. 3 a 4 colheres por dia. Máx. 5 dias.”

Agora estou indo comprar cebolas. Roxas, porque se ele colocou entre parênteses, é porque tem que ser roxa, né?

Fuçando por aí encontrei este post no blog A mãe que quero ser (muito bom, por sinal) e achei perfeito. É uma lista bem verossímil e totalmente de acordo com os padrões alemães e mundiais de naturebismo, além de ser fácil de fazer em casa! 🙂

Olha os itens que achei mais bacanas e meus comentários em laranja:

  • Prefira alimentos de origem local: quando você compra frutas e legumes da estação ou produzidos localmente, menos combustível foi usado para transportá-los até o mercado. Portanto, calce o tênis e vá à feira! (aliás, esse também é um programa bacana para levar as crianças) > como já falei várias vezes, na Alemanha o bio vai ser substituído pelo regional no ranking das tendências. 
  • Use paninhos laváveis em vez de algodão ou lenços descartáveis:para fazer a higienização do bebê entre as trocas de fralda, considere substituir o algodão ou lenços descartáveis por paninhos umedecidos com uma solução caseira de água, óleo (de amêndoa ou de bebê) e um tiquinho de sabonete líquido neutro. Depois é só jogar na máquina e lavar com suas roupas. Os paninhos podem ser fraldinhas ou retalhos de camisetas velhas. Quer algo mais ecológico do que isso? > no início eu achava nojento ter que limpar aquele cocô aguado com paninhos. Para cada cagada iam uns 6, já que o objetivo é também economizar água. Mas depois que o cocozinho do bacuri fica durinho é mais fácil. Um pacote de lenço umedecido dura um mês agora!
  • Elimine os supérfluos: Metade dos itens na prateleira para bebês na farmácia são completamente desnecessários. Seu bebê não precisa de hidratante, perfume e nem de shampoo (muito menos condicionador). Se você usar fraldas de pano, também pode riscar dessa lista as pomadas tipo hipoglós. > Também já comentei aqui. Azeitinho, creminho orgânico e água. O resto é realmente supérfluo no primeiro ano de vida. Depois, quando eles começam a ficar azedos de suor, aí o negócio pega. 
  • Plante ervas no quintal, na varanda ou na janela: além de sair da terra para a mesa em segundos, cultivar plantas nos aproxima da natureza e pode fazer com que tenhamos mais cuidado com o planeta. E as crianças adoram as plantinhas! > mais do que isso, é importante ensinar as criancas hoje de onde vêm as comidas que elas comem. Parece bobo, mas experimenta perguntar pra uma delas de onde vêm certos alimentos. Todas vao responder: “supermercado!”, aposto! ahahahahah
  • Evite comida industrializada: eu sei que é prático comprar potinhos de papinha em vez de fazer a própria comida pro seu bebê, mas existem comidas rápidas mais naturais e ecologicamente corretas. As frutas são o fast foodperfeito. Você pode descascar e oferecer ou raspar com uma colher antes. > Por mais que os potinhos sejam realmente práticos, depois que o bebê comeca a comer de verdadinha na mesa com a gente, a partir de um ano, comecei a achar aquela gororoba apenas um protótipo de comida. Sem falar que os potinhos de fruta, mesmo sem açúcar, são adoçados com o xarope concentrado da própria fruta! É…são os truques da indústria bio, amigo!

Vai lá e lê o post todo! Imperdível! Enquanto isso, vou trabalhando para aumentar essa lista.

Na Alemanha, mãe natureba que é mãe natureba tem um pé nos métodos pedagógicos alternativos. E me senti a mais natureba ever semana passada, quando o Valentin ganhou seus primeiros bloquinhos de montar Waldorf.

– Olha, eu não sei se vocês vão gostar, mas a vendedora me disse que eles usam esses blocos na escola Waldorf, disse sua avó, que veio entregar para ele o presente no dia da crianca. Alguém tem uma dúvida de que esta vendedora está por dentro das tendências?

Não são bloquinhos comuns: as formas são mais fluidas e os cantos arredondados, numa vibe bem Niemeyer, o que estimula a criatividade da criança na hora de montar as diferentes formas. Cada peça é diferente da outra e não sugere formatos. isso fica à cargo da criança!

São como pedaços de madeira lapidados e pintados (com tinta bio, claro, e sem acabamento envernizado, o que faz com que os bloquinhos não escorreguem entre si facilmente), sem muita preocupação com linhas retas e formas fixas. Se você, com mente de adulto, for tentar colocar um bloquinho em cima do outro tentando formar uma torre, vai se deparar com um grande desafio.

Eu, que não sou uma conhecedora aprofundada da pedagogia Waldorf (ainda, né?), achei muito legais esses bloquinhos. São grandes (maiores do que blocos comuns), coloridões, sem cantos pontudos, ou seja, já ótimo para bebês. A textura é agradável e a pintura é opaca, bem elegante. Só cuidado para não levar uma blocada. Madeira dói!

Para crianças maiores indico os blocos Waldorf sem cor, verdadeiramente roots.